Tiago passa a dar uma terceira razão pela
qual a parcialidade não tem lugar no Cristianismo – é contrária à “lei da liberdade”. Os princípios muito
mais elevados da vida Cristã, como indicado nesta lei, exigem que o crente
trate todos os homens com graça e igualdade. Isso é algo que deve vir
naturalmente de um Cristão porque ele tem uma nova vida que se deleita em fazer
tais coisas. Como é da vontade de Deus mostrarmos bondade e respeito a todos
com quem interagimos, e que temos uma nova natureza que deseja fazer essas
mesmas coisas, não deve ser um fardo tratarmos as pessoas com imparcialidade.
De fato, é pura liberdade para um crente se expressar dessa maneira, pois tal é
a lei da liberdade.
Assim sendo, Tiago diz: “Assim falai e assim procedei”. Seu
ponto aqui é que, se dissermos que
somos crentes no Senhor Jesus Cristo, devemos prová-lo em nossas ações e,
assim, viver sem sermos partidários de certas pessoas. Além disso, Tiago mostra
que, ao fazer uma profissão de ser Cristão, nos colocamos em uma posição de
maior responsabilidade e, portanto, seremos “julgados pela lei da liberdade”. Isto é, nos testa e nos expõe
pelo que realmente somos. O Cristianismo normal é tal que a lei da liberdade
levaria os Cristãos a mostrar misericórdia e graça para com os outros, mas, se
uma pessoa não tem inclinação para tais coisas, essa mesma lei manifesta que
talvez ele não tenha essa nova vida e natureza. Assim, a lei da liberdade julga
que nossa profissão é falsa e, portanto, nossa salvação é questionada.
V. 13 – Além disso, se conhecermos o Senhor Jesus Cristo como
nosso Salvador, mas recusarmos agir de acordo com a “lei da liberdade”, faremos chegar a nós mesmos os castigos
governamentais de Deus. Tiago nos adverte que “o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia”.
Ele acrescenta: “A misericórdia triunfa
sobre o juízo”. Isso significa que Deus Se deleita em misericórdia, em vez
de julgamento (Mq 7:18). Portanto, devemos também. Se mostrarmos misericórdia
para com os outros, evitaremos o julgamento sobre nós mesmos.
O Sr. W. MacDonald faz
algumas perguntas indagadoras sobre este tópico: “Vamos nos testar então sobre
esse importante assunto de parcialidade. Mostramos mais gentileza para com
aqueles de nossa própria raça do que com pessoas de outras raças? Somos mais
gentilmente dispostos aos jovens do que com os idosos? Somos mais extrovertidos
para as pessoas de boa aparência do que as que são simples e caseiras? Estamos
mais ansiosos para fazer amizade com pessoas proeminentes do que com aquelas
que são relativamente desconhecidas? Evitamos pessoas com enfermidades físicas
e procuramos companheirismo dos fortes e saudáveis? Favorecemos os ricos sobre
os pobres? Damos um ‘ombro frio’ para os estrangeiros que falam a nossa língua
com um sotaque estrangeiro? À medida que respondemos a estas perguntas, lembramo-nos
de que a maneira como tratamos o crente menos amável é a maneira como tratamos
o Salvador?” (Mt 25:40)