Vs. 19-20 – O assunto ao
longo de toda esta passagem é em conexão com a restauração de indivíduos que
saíram do caminho. Vimos os anciãos da assembleia orando em relação à
restauração de um crente que esteve doente por causa da mão de castigo de Deus
colocada sobre ele. Também olhamos Elias ilustrando a necessidade de orar em
comunhão com a mente de Deus em conexão com pessoas que se desviaram. Mas
agora, nestes dois últimos versículos do capítulo, temos o exercício de irmãos
para ir atrás de um crente rebelde e trazê-lo de volta.
No caso da pessoa que esteve
doente, Deus usou sua doença para trazê-lo de volta ao Senhor. Ao se voltar
para os anciãos, ele está pedindo ajuda. Assim, o arrependimento está
acontecendo no indivíduo. Mas na situação que estamos prestes a considerar, a
pessoa não está pedindo ajuda. Portanto, o trabalho de arrependimento ainda não
começou em sua alma. Este último caso, portanto, é muito mais difícil. Embora
seja uma tarefa monumental, Tiago coloca a responsabilidade de seus irmãos para
ir e trazê-lo de volta. Como eles podem fazer isso? Para que alguém volte para
o Senhor, deve haver arrependimento – uma mudança de mentalidade e um julgamento
sobre tudo o que foi feito de errado. Portanto, aqueles que procuram restaurar
o irmão rebelde devem ministrar a ele de tal maneira que seu coração e
consciência sejam alcançados.
Além disso, deve-se notar que
aqueles que devem fazer este trabalho restaurativo não são necessariamente os
anciãos da assembleia. Tiago simplesmente diz: “aquele que fizer converter”. Este “aquele” pode ser qualquer irmão ou irmã que tenha um cuidado em
seu coração por essa pessoa rebelde. Somos todos “guardadores do nosso irmão” (Gn 4:9), e todos devemos nos importar
o suficiente para ir atrás dele. Abrão foi atrás de Ló e o trouxe de volta (Gn
14:14-16). O apóstolo Paulo aborda este necessário ministério em Gálatas 6:1: “Irmãos, se algum homem chegar a ser
surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com
espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado”.
Nota: isso não requer um dom especial. A única coisa que é necessária é
espiritualidade e um cuidado genuíno para com a pessoa que errou. Isso nos
levará, não apenas a orar por ela, mas também a ir atrás dela e trazê-la de
volta, se possível.
Tiago procura encorajar-nos
nesta obra, dizendo: “Saiba que aquele
que fizer converter [trouxer de
volta – JND] do erro do seu caminho
um pecador salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados”.
Isso não está escrito para o irmão que erra, mas para aqueles que se importam
com ele. Isso mostra que trabalhar para restaurar almas é um trabalho
gratificante. Deus concede gozo e um senso especial de Sua aprovação àquele que
vai atrás de um irmão ou irmã rebelde. Salvar a pessoa “do erro do seu caminho” refere-se a ele ser impedido, pelo
arrependimento, de ir mais fundo no pecado, e assim sofrer as consequências
governamentais dele. A punição de Deus seguirá um crente em erro – até para
encurtar sua vida na Terra pela “morte”.
Muitos filhos rebeldes de Deus morreram prematuramente sob a mão castigadora de
Deus por causa de sua falta de vontade em julgar o curso do pecado em que
estavam. Eclesiastes adverte: “Não sejas
demasiadamente ímpio, nem sejas louco: por que morrerias fora de teu tempo”
(Ec 7:17).
Aquele que procura restaurar
o irmão que erra pode aprender dos pecados na vida da pessoa, mas “porque o amor cobrirá a multidão de
pecados” (1 Pe 4:8) não espalhará essas coisas perante o mundo e não
jogará mais lama no testemunho Cristão. O amor cobre o que foi julgado e colocado
de lado.
Este trabalho de buscar o
bem-estar e a restauração de outros é outra evidência de uma pessoa ter fé. Se
realmente crermos no Senhor Jesus, amaremos os outros que crerem n’Ele, e se um
desses crentes errar no caminho, o amor em nós procurará restaurá-lo (1 Jo
5:1). O amor divino em um crente buscará levar a pessoa em erro ao
arrependimento, a fim de que julgue a si mesmo e retorne ao Senhor. Se alguém
não é um verdadeiro crente, mas um mero professo, ele não se preocupará com uma
pessoa rebelde, e assim manifesta a evidência de que ele não é verdadeiramente
um crente.
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Em resumo, vimos Tiago
desafiando aqueles que têm fé a exibi-la de várias maneiras nas situações
cotidianas da vida, de modo que seja claro para todos que eles são verdadeiros
crentes no Senhor Jesus Cristo.