Vs. 14-26 – Isso leva Tiago a
falar da necessidade de testar a profissão de um homem. Evidentemente, havia
uma multidão mista de irmãos judeus a quem ele escrevia, que era composta de
meros Cristãos professos. Eles tinham feito uma profissão de serem crentes no
Senhor Jesus Cristo, mas havia pouca ou nenhuma evidência disso em suas vidas.
Não é de se admirar por que eles não teriam remorso em agir sobre linhas
carnais e mundanas para cortejar os favores dos ricos e desdenhar os pobres.
Na última parte do capítulo, Tiago
faz uma série de perguntas que testariam a realidade da fé de uma pessoa. Três
vezes nos versos 14-18, ele diz: “Se
alguém disser ...” e “Se um de vós lhe disser ...” e “Mas dirá alguém ...” O
ponto aqui é que uma pessoa pode fazer uma profissão de ter fé e “dizer” que é um crente, mas a
realidade de sua declaração deve ser provada por “obras”. Isso é indicado pelas expressões “mostre-me” e “veja” nos
versos 18, 22 e 24. Não podemos ver a fé de uma pessoa, assim como não podemos
ver o vento, mas podemos ver a evidência do vento nos efeitos que ele causa ao
soprar as coisas. Da mesma forma, a fé verdadeira se evidenciará em resultados
observáveis.
Vs. 14-17 – Tiago pergunta: “Meus irmãos, que aproveita se alguém
disser que tem fé, e não tiver as obras?” De maneira muito simples, ele
insiste em que “obras” sejam
mostradas na vida de um crente para evidenciar a sua fé. Fé e obras devem andar
juntas. Por isso, ele chama os crentes para mostrar sua fé em suas vidas
cotidianas. O cenário hipotético que ele usa para enfatizar seu ponto é o
assunto já em discussão – o tratamento de outros. Se “o irmão ou a irmã” está precisando de roupas e comida, e nós não
oferecemos ajuda prática, mas apenas damos algumas palavras vazias de
encorajamento, não estamos mostrando as características de alguém que tem fé.
Tiago pergunta: “Porventura a fé pode
salvá-lo?” (v. 14). Isto é, “Esse tipo de fé pode salvar uma pessoa?” A
resposta é: “Não!” Tal fé é comprovada ser sem valor; é apenas uma profissão
vazia. A prática normal do Cristianismo não é apenas ter cortesia para com todos, mas também ter compaixão por todos. No entanto, no caso da pessoa de quem Tiago
fala, fica claro que a fé dessa pessoa, quando testada, prova estar “morta” (v. 17).
Vs. 18-20 – Tiago então
contrasta esses dois tipos de fé para nós. Ele diz: “mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé
pelas minhas obras”. A verdadeira fé é uma coisa viva que se manifesta em
obras. Esse tipo de fé distingue-se do tipo de fé morta que consiste apenas na aceitação
de certos fatos sobre Deus, sem que o coração seja submetido ao poder desses
fatos. Ele diz: “Tu crês que há um só
Deus: fazes bem”. No entanto, a verdadeira fé é mais do que apenas um consentimento intelectual aos fatos sobre
Deus. Para provar isso, ele diz: “Também
os demônios o creem” nesses fatos, mas isso não mudou nada para eles; eles “creem”, mas eles também “tremem”. Tiago, portanto, volta à sua
conclusão anterior e diz: “a fé sem as obras
é morta”.
Isso nos leva a uma pergunta profunda
mas muito prática: “Se as autoridades dessas terras se voltassem contra a
prática do Cristianismo e começassem a aprisionar os Cristãos, haveria provas
suficientes em nossas vidas para nos convencer de nossa fé?” O Senhor ensinou
que é perfeitamente possível esconder nossa “candeia” (nosso testemunho pessoal) “em um lugar oculto” e, consequentemente, ninguém a veria (Lc
11:33). O Senhor disse que deveríamos colocar nossa candeia “no velador” para que todos possam ver.
Ele disse: “Assim resplandeça a vossa luz
diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso
Pai, que está nos céus” (Mt 5:16).