Vs. 22-25 – Tiago, portanto,
continua falando sobre a importância de responder à Palavra com obediência
prática. Ele nos exorta a não sermos apenas “ouvintes”, mas também “praticantes
da Palavra”. Esdras é um bom exemplo disso. Diz que ele “tinha preparado o seu coração para buscar
a lei do Senhor e para a cumprir” (Ed 7:10). Este, então, é outro teste da
realidade de alguém. Se ele tem fé, sendo um verdadeiro crente, será evidente
pela obediência à Palavra. Um crente pode, às vezes, deixar de colocar a
Palavra de Deus em prática em sua vida como deveria, mas ele é
caracteristicamente um praticante da Palavra. Se, por outro lado, alguém
negligencia habitualmente a prática dos princípios na Palavra, isso traz à
questão se ele é realmente um crente. Isso pode muito bem significar que ele
não é salvo.
É-nos dito em Hebreus 6:4-5
que é possível que um incrédulo vir entre os Cristãos onde a Palavra de Deus é
ministrada, e assim prove “a boa Palavra
de Deus” e participe do que “o
Espírito Santo” está fazendo lá de uma maneira exterior – e ainda
permanecer não salvo. Tais pessoas seriam “somente
ouvintes” em seu sentido primário; a Palavra nunca foi recebida em fé. No
entanto, circular na verdade sem ser um cumpridor dela é algo perigoso; pode
levar ao engano próprio. Tiago acrescenta: “Enganando-vos
a vós mesmos” (ARA). Muitas pessoas ficaram espiritualmente cegas de alguma
forma por causa de sua relutância em obedecer à Escritura depois que as ouviu. Tiago
diz que esse é como uma pessoa que olha para um “espelho” e depois se afasta e esquece o que viu – portanto, não
produz nenhum efeito nele. Nota: Enganamos a nós mesmos e não os outros ao
nosso redor. As pessoas que nos conhecem geralmente não são enganadas por nossa
hipocrisia.
Essa fachada vazia de ser “ouvinte da Palavra, e não cumpridor”
teve uma história entre os judeus. Aqueles nos dias de Ezequiel são um exemplo.
O Senhor disse a ele que o povo viria e se sentaria diante dele como o povo de
Deus deveria fazer na presença de um profeta de Deus, mas eles não fariam o que
ele dizia. “Eles vêm ter contigo como se ajunta o povo, e se assentam diante
de ti como o Meu povo, e ouvem as tuas palavras, porém não as põem por obra;
pois com a sua boca professam muito amor, mas o seu coração segue a sua
ganância. Eis que tu és para eles como uma canção mui linda do que tem uma voz
agradável; porque eles ouvem as tuas palavras, porém não as põem por obra” (Ez 33:31-32). Os fariseus, no tempo
em que o Senhor estava na Terra, eram os descendentes espirituais dos que
estavam na época de Ezequiel. O Senhor disse a respeito deles: “Observai, pois, e praticai tudo o que vos
disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e
não praticam” (Mt 23:3). Este problema não é algo exclusivo para os judeus,
todos sabemos como é fácil ler a Bíblia sem sermos afetados pelo que lemos.
Todos precisamos ser exercitados sobre isso.
V. 25 – Tiago afirma que ser
cumpridor da Palavra não deve ser um fardo para o crente, porque ser solicitado
a fazer algo que você quer fazer não é um fardo; é um gozo. Isso é o que Tiago
chama de “a lei perfeita – a lei da
liberdade” (TB). Ela é mencionada em contraste com a lei de Moisés. A lei
mosaica está ocupada em restringir os impulsos da velha natureza. Ela está cheia da frase negativa frequentemente
repetida: “Não ...”. Tentar executar todas essas
injunções era um fardo para todos os que estavam sob essa obrigação (Mt 11:28;
At 15:10). A lei da liberdade, por outro lado, concentra-se em encorajar e
dirigir a nova natureza em coisas
positivas que a nova vida tem prazer em fazer. É marcada por frases como “Cheguemo-nos ..., andemos ..., sigamos ..., rejeitemos ..., etc.” Fazer estas coisas não é um fardo
para a nova natureza, porque ela se deleita em fazer a vontade de Deus, indicada
em Sua Palavra (Sl 40:8). Da mesma forma, pedir a um cavalo que coma feno é,
para um cavalo, perfeita liberdade – é exatamente o que ele quer fazer! No
entanto, pedir a um cachorro para comer feno é outra coisa – é pura coerção
para ele. Por isso, o homem que anda no Espírito gosta de fazer a vontade de
Deus; não é um fardo para ele. A perfeita lei da liberdade, portanto, é quando
os mandamentos do Senhor e os desejos do crente estão em harmonia.
Para encorajar a prática da
Palavra de Deus, Tiago lembra sua audiência da recompensa presente por seus
praticantes. Ele diz: “esse tal será
bem-aventurado no seu feito”. O significado da palavra “abençoado” é feliz. Assim, a pessoa que anda na verdade será feliz
em sua alma, porque há um gozo em obedecer a Palavra de Deus que é conhecido
apenas por aqueles que a fazem. Isso é ilustrado no primeiro milagre que o
Senhor Jesus fez quando transformou a água em vinho (Jo 2). Beber “água”, na Escritura, refere-se ao
refresco da Palavra de Deus. “Vinho”,
na Escritura, fala frequentemente dos gozos da vida Cristã. Ao realizar o
milagre, perguntamos: “Quando a água se transformou em vinho?” Não foi quando
os servos despejaram a água nos vasos, mas quando pegaram os vasos e os levaram
para o governador. Em algum lugar ao longo do caminho, enquanto caminhavam com
a água, ela se transformou em vinho. Da mesma forma, quando carregamos a
Palavra de Deus em nossa caminhada diária, isso se torna um gozo para nós.