V. 4 – Tiago prossegue,
falando do resultado inevitável de uma pessoa que vive em concupiscências
incontroladas; ele se voltará para o mundo para satisfazer esses desejos.
Quando a carne não é mantida sob controle na vida de um crente, ela funcionará
em conjunto com o mundo e o diabo, e esses inimigos o afastarão de Deus,
praticamente falando. Portanto, Tiago nos alerta contra o pecado de mundanismo.
Ele diz: “Adúlteras, não sabeis que a
amizade com o mundo é inimizade contra Deus?” (JND) (As versões King James
e as em português acrescentam: “adúlteros”, mas há pouca ou nenhuma autoridade de
manuscrito para isso. A Igreja é vista na Escritura no gênero feminino e não no
masculino – 2 Co 11:2; Ef 5:23-32; Ap 19:7-9). O ponto que Tiago está fazendo
aqui é que, voltar-se para o sistema mundano para satisfazer nossos desejos é
um adultério espiritual; é realmente infidelidade ao Senhor. Amar as coisas
passageiras deste mundo (1 Jo 2:17) é ser falso para com o Senhor. A concupiscência
por bens materiais e prazeres é cobiça, que é idolatria (Cl 3:5). O mal da
idolatria é que ela estabelece um ídolo em nossos corações que se rivaliza com
Cristo por nossa atenção e afeições (Ez 14:3). Tudo isso é infidelidade
espiritual para com Ele.
Além disso, “o mundo” está em estado de aberta rebelião
contra Deus. Mostrou seu ódio por Cristo e expulsou-O. Como então qualquer Cristão
de mente correta pode querer ter comunhão com o mundo? Fazer isso é
infidelidade ao Senhor. Devemos ser amigáveis
com as pessoas do mundo, mas não devemos ser amigos de pessoas mundanas. Falamos aqui de cumplicidade com o
mundo, não de interações sob o “princípio da plena concordância” nos negócios,
etc.
O mundo é visto de três maneiras diferentes nas escrituras:
- Como um lugar onde
vivemos (planeta Terra) e para o qual Cristo veio para morrer pelos pecadores
(Mc 16:15; At 17:24; 1 Tm 1:15; Hb 1:2).
- Como um sistema de
negócios e atividades que o homem organizou na tentativa de manter-se feliz e
satisfeito em sua alienação de Deus. Já que o homem é uma criatura complexa com
muitos interesses e desejos, o sistema mundial foi construído com muitos
departamentos – político, comercial, religioso, entretenimento, esportes, etc.
(Jo 16:33; Rm 12:2; Gl 6:14; 1 Co 2:12, 3:19; Tt 2:12; 2 Pe 1:4, 2:20; 1 Jo
2:16, 5:19). É uma sociedade da qual Cristo é excluído (Jo 1:10-11; 1 Co
2:6-8).
- Como pessoas perdidas que estão envolvidas no sistema mundial (Jo 1:10b, 3:16-17, 17:23).
Tiago está falando dos dois
últimos aspectos do mundo. Ele diz: “Portanto
qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. Esta é
uma declaração séria de fato. Ele está dizendo que nossa atitude para com o
mundo declara claramente nossa atitude para com Deus. Se tomarmos uma posição
com o mundo, estamos nos posicionando contra Deus! Não há nenhum ponto neutro
nisso. A salvação nos mudou de inimigos de Deus para amigos de Deus (Rm 5:10).
Quando uma pessoa responde ao chamado de Deus e vem a Cristo, ele, por sua
confissão, está fazendo uma clara ruptura com o mundo que crucificou a Cristo.
Virar-se depois de ser salvo e tomar uma posição de amizade com o mundo é uma
negação prática de nossa confissão como Cristãos. Qualquer um que o faça,
coloca uma dúvida sobre sua confissão se é verdadeiramente salvo. Continuar na
amizade habitual com o mundo é evidência de incredulidade, e isso pode
significar que ele não seja salvo de forma alguma. Tiago, portanto, usa o
princípio da separação do mundo como outro teste da veracidade da fé de uma
pessoa.
V. 5 – Ele diz: “Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura:
O Espírito que em nós habita tem ciúmes?” Seu ponto aqui é que a Escritura
não nos adverte desses tipos de desejos mundanos sem razão; eles são muito
perigosos e “combatem contra a alma”
(1 Pe 2:11). Tiago está nos perguntando se realmente pensamos que o Espírito de
Deus habitando em nós nos levaria a desejar as coisas do mundo. Seria absurdo
pensar que o Espírito de Deus levaria um Cristão a algo que é tão odioso para
Deus.
Ao ler este versículo,
podemos nos perguntar qual escritura do Velho Testamento que Tiago estava
citando. No entanto, ele não estava se referindo a um verso específico, mas
estava falando de todo o teor da Escritura. A mensagem da Escritura, em geral,
condena as concupiscências mundanas. Assim, como eles poderiam pensar que Deus
seria feliz com eles buscando um curso de amizade com o mundo – ou as pessoas
ou com o sistema?
Vs. 6-7a – Tiago antecipa
alguém afirmando que não podia romper os laços das relações estabelecidas há
muito tempo que tinha no mundo, e responde: “Antes, Ele dá maior graça”. Isto é, independentemente de quão
forte é a atração do mundo, a graça de Deus é suficiente para enfrentá-lo e vencê-lo.
Ele dará graça a toda pessoa exercitada para que ela possa vencer o mundo e se
afastar dele. Tudo o que temos que fazer para receber essa grande graça é nos
humilharmos perante Ele. Assim, Tiago diz: “Deus
resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes”. O orgulho – o desejo
de ser bem visto por certas pessoas – está muitas vezes na raiz da falta de
vontade de uma pessoa em claramente romper com o mundo. Se um crente preza suas
amizades com o mundo mais do que sua amizade com o Senhor Jesus, e coloca as reivindicações
dessas amizades adiante das de Cristo, então, entenda que Deus resiste aos
orgulhosos; Sua graça não será dada a tal. Mas se uma pessoa é verdadeiramente
exercitada sobre os jugos desiguais que tem com o mundo (2 Co 6:14-17) e se
humilha perante Deus, Ele derramará Seu suprimento ilimitado de graça para a
situação e o ajudará afastar-se de suas associações mundanas. Tiago, então, dá
a única conclusão lógica para todo o assunto: “Sujeitai-vos pois a Deus”. Isto é, “submeta-se” a Ele (ao que Ele
disse em Sua Palavra em relação ao mundo) e busque a Sua graça para se afastar
do mundo e de suas associações. Submeter-se a Deus é onde reside o poder para a
vida Cristã.