Vs. 2-6 – Ele os acusou de quatro coisas específicas:
- Acumular tesouros – vs. 2-3.
- Tratar seus funcionários com fraudes – v. 4
- Indulgência própria – v. 5
- Perseguir seus irmãos (os justos) – v. 6
O que estava no fundo de sua concupiscência
desenfreada para obter riqueza e poder era o pecado de cobiça. Isso os
impulsionou em suas más práticas. Era especialmente triste que essas más
práticas fossem feitas à custa daqueles com quem professavam fé mútua – seus
próprios irmãos! Por isso, a mais forte repreensão da epístola é dada a esses
falsos professos.
Vs. 2-3 – Mesmo que o pecado de ajuntar tesouro seja condenado
na Escritura (Ec 5:10-13; Sl 39:6; Pv 23:4-5), esses judeus ricos, que estariam
familiarizados com aquelas Escrituras, “entesouraram
para os últimos dias”. Tiago adverte que o julgamento de Deus era contra
essa prática. Para enfatizar a brevidade das posses materiais, ele diz a eles
que suas “vestes estão roídas pelas
traças” (TB) e que “O vosso ouro e a
vossa prata se enferrujaram”. Seus tesouros seriam corrompidos e se
tornariam inúteis. O ponto aqui é que as riquezas podem ser acumuladas até o
ponto de se tornarem estragadas e inúteis. Em uma nota muito prática, isso nos
mostra que não é a vontade de Deus que as pessoas guardem roupas em seus
guarda-roupas e estoquem pilhas de dinheiros nos bancos.
A Bíblia não diz que é um
pecado ser rico, mas ensina que acumular riquezas é pecado. São as riquezas não
consagradas que Tiago está repreendendo aqui. Na linguagem mais clara, o Senhor
Jesus ensinou: “Não ajunteis tesouros na
Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e
roubam” (Mt 6:19).
A coisa triste sobre a
riqueza que estes judeus adquiriram era que tinha sido obtida por meios
injustos. Tiago garante que eles seriam recompensados de acordo. Eles teriam
os olhos abertos para ver o fim da sua riqueza: “sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa
carne”. Esta é uma linguagem figurativa que indica que esses homens ricos
teriam grande remorso pela perda de suas posses – sem mencionar a perda de suas
almas (Mc 8:36). A lição aqui é que é tolice acumular as posses – seja comida,
roupas ou dinheiro. Esses ricos reuniram tesouros para “os últimos dias”, mas não viveriam até os últimos dias para
aproveitá-los, porque os romanos invadiriam e destruiriam a Terra.
V. 4 – O segundo grande
pecado que estes ricos judeus eram culpados era de estar traindo seus trabalhadores
por práticas fraudulentas. “o salário dos trabalhadores que ceifaram”
em seus campos “foi retido com fraude”
(ARA). Isso não foi um descuido de sua parte, mas uma ação deliberada de reter
o salário de seus trabalhadores agrícolas pobres. O que tornou isso tão triste
foi que muitos deles eram seus próprios irmãos, os quais professavam mutuamente
fé no Senhor Jesus! Isto não foi apenas uma violação da Lei de Moisés (Lv
19:13; Dt 24:14-15), mas foi contrário aos ensinamentos do Senhor Jesus (Lc
6:31, 36). Também foi contrário ao ensinamento do apóstolo Paulo (Cl 4:1). É
claro que sua profissão de fé não era verdadeira.
Tiago falou a esses homens
ricos que Deus havia visto suas más práticas e que Ele ouvira os clamores de
Seu povo sofredor. “os clamores dos que
ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos”. Podemos ser
tentados a pensar que o Senhor é indiferente às injustiças que são feitas
contra nós, mas não é verdade. Só porque Ele não age segundo o nosso calendário
não significa que Ele não Se importa. O apóstolo Pedro lembra a todos os que
podem ser tentados a pensar tais coisas: “Ele
tem cuidado de vós” (1 Pe 5:7). O Senhor está profundamente interessado em
tudo o que toca o Seu povo (Êx 2:23-24; Zc 2:8). O ponto em mencionar “o Senhor dos Exércitos” aqui é destacar
o fato de que aqu’Ele que comanda os exércitos do céu é forte na causa de Seu
povo sofredor que é injustamente menosprezado. Os tratamentos governamentais de
Deus com todos os que acumulam riquezas oprimindo seus empregados encontrarão
sua justa retribuição.
V. 5 – O terceiro pecado
desses homens ricos era de indulgência
própria. Eles viviam de prazer e extravagância. Tiago diz: “Deliciosamente, vivestes sobre a Terra, e
vos deleitastes”. Esse estilo de vida pode levar à insensibilidade às
necessidades dos outros. Esses injustos a açambarcadores[1] colocavam
o seu “eu” no centro de suas vidas, enquanto aqueles de quem se aproveitavam estavam
em necessidade. Eles se “cevavam” a
si mesmos “como num dia de matança”.
Esta é uma imagem tirada de soldados avidamente saqueando os espólios de seus
inimigos conquistados em uma disputa pela riqueza.
V. 6 – O quarto mal destes
homens ricos foi a perseguição dos justos.
Eles “condenaram e mataram o justo” cada
um dos seguidores de Cristo. Ao fazer isso, eles estavam manifestando o mesmo
caráter de incredulidade e iniquidade que tinham os judeus incrédulos que
mataram a Cristo – “o Santo e Justo”
(At 3:14). A matança dos justos aqui se refere à matança “judicial”. Isto é,
esses homens ricos e iníquos conseguiriam que o sistema judicial executasse (falsamente)
juízos sobre esses crentes justos. Isso é visto no fato de que sua condenação é
mencionada antes de serem mortos. Essas pessoas pobres foram levadas a um
tribunal e acusadas injustamente por esses homens inescrupulosos e iníquos
(cap. 2:6). Não tendo meios de se defender, eles foram executados sob o sistema
judicial. “Ele não vos resistiu”
aparentemente se refere a essas pobres pessoas acusadas sem poder para resistir
à injustiça.
Essas coisas nos mostram o
que a cobiça pode nos levar a fazer. O que começou como uma ênfase indevida na
acumulação de riqueza, terminou com a morte daqueles que estavam no caminho para
atingir esse objetivo! Isso deveria ser um aviso severo para os Cristãos não se
deixarem levar pela acumulação de riqueza. As riquezas não consagradas
destruirão seus donos.
[1] N. do T.: o que adquire o
controle sobre algo ou que chama algo a si, privando outros da respectiva
vantagem.