Tiago
continua falando de uma segunda coisa de que precisamos para nos beneficiar com
as provações – uma mente compreensiva
(v. 3). Ele diz: “sabendo que a prova da
vossa fé produz a paciência [perseverança
– ARA]”. Nossa capacidade de nos
regozijarmos em provações está conectada com “saber” e crer que o Senhor não permitiria que nada nos tocasse que
não tivesse um propósito de “amor”
de Sua parte (Hb 12:6) e “sendo
necessário” por nossa parte (1 Pe 1:6). Entendendo que a provação foi
ordenada por Deus para desenvolver alguma coisa em nós para nosso benefício
espiritual, devemos ser capazes de passar por ela com uma atitude correta. Pode
ser algum caráter moral, como “paciência
[perseverança]”, que é uma coisa importante e
necessária na vida Cristã. Sem esse conhecimento, poderíamos nos tornar
perplexos e oprimidos quando o problema nos assediasse, e isso poderia resultar
em nossa fé desmoronar sob a provação e nos desanimar.
O apóstolo Paulo fala da
importância desse tipo de conhecimento em Romanos 8:28: “Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles
que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto”. Ele não diz
que todas as coisas que entram em nossas vidas são boas – porque algumas delas
podem ser muito tristes e ruins – mas que essas coisas “contribuem juntamente para o bem”. Podemos não ver isso no momento
da provação, mas a provação se destina a produzir em nossa vida algo que é bom
no final – no que diz respeito ao nosso ser moral (Dt 8:16). Lembremo-nos de
que todo filho de Deus está na escola de Deus e, portanto, sob Seu treinamento
divino (Jó 35:10-11, 36:22; Sl 94:10; Is 48:17; Hb 12:10-11). Deus usa
provações para nossa educação espiritual – para nos ensinar dependência e
obediência (Sl 119:67-68, 71) e para formar o caráter de Cristo em nós (Rm
8:29), etc. Conhecendo e crendo que tais coisas na verdade, “contribuem juntamente” para o nosso
bem e benefício, nos dá a capacidade de perseverar em tempos de provação.
J. N. Darby observou que “a
provação não pode em si conferir graça, mas sob a mão de Deus pode quebrar a
vontade e detectar males ocultos e insuspeitados, e que se julgados, a nova
vida é mais plenamente desenvolvida e Deus tem um lugar maior no coração. Além
disso, por ela, a humilde dependência é ensinada; e como resultado, há mais
desconfiança de si mesmo e da carne, e uma consciência de que o mundo não é
nada, e o que é eternamente verdadeiro e divino tem um lugar maior na alma”.
Portanto, as provações têm uma maneira de remover coisas supérfluas em nossas
vidas e em nossas personalidades. Elas tendem a nos desconectar de nossos
recursos materiais e posições na vida, e nos conectar com o que é espiritual e
eterno.
Quando a provação chega,
pensamos naturalmente: “Como posso me
tirar disso?” Mas o que realmente deveríamos estar dizendo é: “O que posso tirar disso!” Há pelo menos dez coisas positivas que resultam das provações pelas quais o povo
do Senhor passa, se forem recebidas corretamente:
- São oportunidades para Deus mostrar Seu poder e graça para
sustentar Seu povo em tempos difíceis, e assim manifestar Sua glória (Jó 37: 7;
Jo 9:3, 11:4).
- Por meio delas somos levados a conhecer o amor de Deus de uma forma
mais profunda, e assim somos atraídos para mais perto do Senhor (Rm 5:3-5).
- Por meio delas somos conformados moralmente à imagem de Cristo (Rm
8:28-29), e assim elas trabalham com vistas à nossa perfeição moral (Tg 1:4).
- Se estivermos andando em caminhos de injustiça, elas são usadas por Deus para corrigir nossos espíritos e nossos caminhos, produzindo assim em nós o fruto pacífico da justiça (Hb 12:5-11).
- Por meio delas nossa fé é fortalecida (2 Ts 1:3-4).
- Elas nos ensinam dependência (Sl 119:67-68, 71).
- Elas nos afastam das coisas terrenas e, assim, nos levam para o
céu; como resultado, a esperança celestial arde mais intensamente em nossos
corações (Lc 12:22-40).
- Eles atraem irmãos mais próximos uns dos outros (Jó 2:11, 6:14; 1
Cr 7:21-22).
- As lições que aprendemos ao passar por provações nos permitem
simpatizar com os outros de maneira mais eficaz (2 Co 1:3-4).
- Elas nos capacitam para o tema do louvor na glória vindoura (2 Co
4:15-17).