Vs. 13-15 – Tiago continua
falando do outro tipo de tentação – a tentação de pecar. Como mencionado, estas
são as provações profanas que emanam da natureza caída pecaminosa. Nota: Tiago
não diz: “Tende grande gozo” aqui,
como ele fez com o primeiro tipo de tentação. Satanás gostaria de nos
apresentar essas coisas como algo que nos fará felizes, mas é mentira. Na
realidade – e todos sabemos por experiência – dar lugar às concupiscências da
carne não traz felicidade. Deixa-nos insatisfeitos e fora da comunhão com Deus.
Tiago mostra nesta série de versículos que podemos vencer essas tentações de
pecar, se forem elas forem enfrentadas com fé.
Ele começa afirmando
claramente que esse tipo de tentação não vem de Deus. Ele diz: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou
tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”. Tiago
menciona isso porque a tendência natural do coração humano é transferir a
responsabilidade pelo nosso erro para outra pessoa. No entanto, não podemos
culpar a Deus por nossos desejos pecaminosos. Deus não tenta as pessoas a fazer
o que Ele odeia; Ele testará nossa fé de várias maneiras, mas não nos tentará a
fazer o mal.
O pecado emana das nossas
próprias vontades agindo; e tudo vem de dentro do coração humano. O Senhor
ensinou: “Porque do interior do coração
dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os
homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a
inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro
e contaminam o homem” (Mc 7:21-23). A verdade simples é que pecamos porque
escolhemos pecar. Um crente pode “entrar”
nesse tipo de tentação, se ele escolher fazê-lo (Mt 26:41). Portanto, somos
totalmente responsáveis por permitir o pecado em nossas vidas.
Tiago nos mostra o fruto de
permitir o desejo interior. Existe um curso, ou uma cadeia de coisas, que
funciona em nossas vidas. Começa com a “concupiscência”
concebida no coração e, se não julgada na presença de Deus (1 Jo 1:9),
frutifica em atos de “pecado”, que finalmente
resultam em “morte”. Seu ponto é
inequivocamente claro; se permitirmos que os pensamentos de concupiscência
permaneçam em nossos corações, eles certamente trarão pecado e morte em nossas
vidas.
Semeie um pensamento, colha uma ação,
Semeie uma ação, colha um hábito,
Semear um hábito, colha um caráter,
Semeie um caráter, colha um destino.
Pode-se perguntar: “De que
maneira permitir o pecado na vida de uma pessoa produz a morte?” “Morte”, na Escritura, sempre tem o
pensamento de separação de algum tipo. Depende do contexto da passagem; poderia
ser separação da alma e espírito do corpo em morte física (Tiago 2:26), ou
poderia ser a separação do incrédulo da presença de Deus para sempre em uma
eternidade perdida (Ap. 20:6, 14 – “a
segunda morte”), etc., O pecado, em seu sentido mais amplo, resulta em
morte física (Gn 2:17; Rm 5:12) e, se uma pessoa não é salva, resulta em
separação eterna de Deus. Em relação a um crente que permite o pecado em sua
vida, está se referindo à morte em um sentido moral. Isto é, haverá uma desconexão em sua comunhão com Deus na prática,
por meio da qual nenhum fruto pode ser produzido em sua vida. O apóstolo Paulo
fala desse aspecto da morte em Romanos 8:13: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis”. (Veja também 1
Timóteo 5:6)
Vs. 16-18 – Em conexão com as
observações precedentes, Tiago diz: “Não
erreis, meus amados irmãos”. Essencialmente, ele está dizendo: “Não cometa
um engano (erro) em pensar que você pode obter algo de bom por meio da
concupiscência”. Toda vez que pensamos que podemos obter algo de bom ao
satisfazer nossos desejos, cometemos um erro; só produz morte moral em nossas
vidas. Ficamos infelizes, insatisfeitos e fora da comunhão com Deus.